Jesus não deixou Sua igreja na escuridão quanto aos acontecimentos que precederiam Seu retorno. Embora a data exata permaneça oculta, Ele providenciou sinais pelos quais Seus seguidores poderiam discernir a aproximação daquele grande dia. Esses sinais funcionam como indicadores que, quando observados em conjunto, revelam que a vinda do Senhor está próxima.
Os sinais podem ser divididos em categorias distintas, mas inter-relacionadas. Primeiro, há sinais de natureza espiritual e moral, que descrevem o estado da humanidade e da fé à medida que o fim se aproxima. A “fome espiritual” que Amós profetizou é um desses sinais. O profeta fala de uma fome incomum: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.” A profecia de Amós, originalmente dirigida ao Israel antigo, é frequentemente aplicada em um contexto escatológico aos últimos dias como um período em que, apesar da disponibilidade sem precedentes de conhecimento e informação, haverá uma escassez de ouvintes sinceros da Palavra de Deus.
Paradoxalmente, essa fome espiritual coexiste com uma grande insatisfação na busca por algo mais profundo e verdadeiro. As pessoas procurarão respostas em filosofias, religiões alternativas, autoajuda e inúmeras outras fontes, mas não encontrarão o que realmente preenche o vazio existencial. Esta busca frenética por significado, combinada com a recusa de aceitar a verdade simples do Evangelho, caracteriza a espiritualidade dos últimos tempos.
O esfriamento do amor é outro sinal crucial de ordem moral e social. Jesus indica que, à medida que o fim se aproxima, haverá um grande aumento da maldade e da injustiça, o que resultará no declínio do amor e da compaixão entre as pessoas. O texto diz: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.” Este cenário de egoísmo crescente e ausência de caridade é um sinal claro da proximidade da volta de Cristo. Quando a sociedade se torna cada vez mais individualista, quando a compaixão é vista como fraqueza, quando a bondade é explorada e a generosidade ridicularizada, então sabemos que o fim está próximo.
A falta de arrependimento, mesmo diante de advertências divinas, completa o quadro espiritual dos últimos dias. Os versículos de Amós descrevem uma série de juízos e advertências de Deus – fome, seca, pragas, guerras – com um refrão repetido: “Contudo, não vos convertestes a mim, diz o Senhor”. No contexto escatológico, esta passagem pode ser vista como um sinal de que, mesmo diante de calamidades, crises e juízos evidentes, a maioria das pessoas persistirá em seu curso, recusando-se a se arrepender e voltar para Deus. O endurecimento do coração humano, a capacidade de testemunhar julgamentos claros e ainda assim permanecer impenitente, marca a geração final.
Segundo, há sinais de ordem política, social e natural que se manifestam no mundo físico. Jesus afirma que haverá “guerras e rumores de guerras” e que nações se levantarão contra nações. Também haverá fomes, terremotos e pestilências em vários lugares. Esses fenômenos não são novidade na história humana, mas Jesus alerta que todos esses eventos são apenas o “princípio das dores” ou “princípio das angústias”, e não o fim imediato. A intensificação e a frequência desses eventos, sua ocorrência simultânea em escala global, é o que os torna sinais significativos.
Terceiro, há sinais celestes que ocorrerão imediatamente antes do retorno de Cristo, após o período de grande tribulação. Jesus profetizou que “o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu”. Lucas acrescenta que “haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas” e que “os homens desfalecerão de terror, pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo”. Esses fenômenos cósmicos marcarão a transição final antes da manifestação gloriosa de Cristo.
Embora não estejam explicitamente listados em uma passagem única de “sinais”, outros textos bíblicos implicam condições específicas adicionais. Paulo ensina que a vinda de Cristo não ocorrerá sem que antes venha a apostasia – uma grande rebelião ou afastamento da fé – e seja revelado o “homem do pecado”, identificado como o Anticristo, que se oporá a Deus. Jesus também afirma que “este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.
Em resumo, os sinais indicados para a volta de Jesus incluem a fome espiritual, que é uma procura generalizada por significado e verdade indicando um vazio que só a Palavra de Deus pode preencher; o esfriamento do amor, marcado pelo aumento da maldade e da iniquidade que causa a perda de compaixão e caridade entre as pessoas; e o endurecimento do coração, manifestado na persistência da humanidade em não se arrepender, mesmo diante de advertências claras.
