Quem foi o 1º escritor da Bíblia? E o último?

Na ordem canônica que temos hoje, o primeiro escritor encontrado na Bíblia é Moisés, que registrou os cinco primeiros livros conhecidos como Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Moisés viveu por volta de 1400 antes de Cristo e recebeu de Deus a tarefa monumental de não apenas liderar Israel para fora do Egito, mas também de estabelecer por escrito os fundamentos da fé e da lei que governariam o povo de Deus. Ele escreveu durante a peregrinação no deserto, registrando desde a narrativa da criação até a morte de Abraão, Isaque e Jacó, passando pela libertação do Egito, a entrega da Lei no Sinai e as instruções detalhadas para o culto e a vida comunitária de Israel.

Porém, há uma questão interessante que merece atenção. Embora Gênesis seja o primeiro livro na ordem canônica, muitos estudiosos acreditam que o livro de Jó pode ter sido o primeiro a ser efetivamente escrito. Jó apresenta características que sugerem período patriarcal muito antigo, possivelmente contemporâneo a Abraão, Isaque e Jacó. O personagem Jó oferece sacrifícios diretamente a Deus, prática típica antes do estabelecimento do sacerdócio levítico no tempo de Moisés. A ausência completa de referências à Lei mosaica, ao êxodo ou a qualquer evento da história de Israel sugere que o livro foi escrito antes desses acontecimentos fundacionais. Além disso, Jó viveu cerca de cento e quarenta anos após seus sofrimentos, longevidade semelhante à dos patriarcas de Gênesis, reforçando que sua história ocorre em época anterior à formação da nação de Israel.

O último escritor da Bíblia foi o apóstolo João, que escreveu o livro de Apocalipse por volta do ano 95 depois de Cristo, já no final do primeiro século. João era o discípulo amado de Jesus, único dos doze apóstolos originais que não morreu como mártir, vivendo até idade avançada. Exilado na ilha de Patmos por causa de sua fé, João recebeu as visões proféticas que compõem o Apocalipse, última revelação divina registrada nas Escrituras. Além do Apocalipse, João também escreveu o Evangelho que leva seu nome e as três epístolas joaninas, tornando-se um dos escritores mais prolíficos do Novo Testamento.

É notável que entre o primeiro e o último escritor da Bíblia existam aproximadamente mil e quinhentos anos de história. Moisés nunca conheceu João, e João nunca viu Moisés exceto na visão da transfiguração registrada nos evangelhos. Contudo, a mensagem que ambos transmitiram é perfeitamente coerente: um Deus criador e redentor que ama a humanidade e estabeleceu um plano de salvação desde a fundação do mundo. Moisés começou registrando a criação e a promessa de um Redentor vindouro. João concluiu revelando a consumação de todas as coisas, quando o Cordeiro de Deus, já sacrificado, retornará em glória para estabelecer novo céu e nova terra. Essa continuidade temática através de milênio e meio de escritos por dezenas de autores diferentes é uma das evidências mais poderosas da inspiração divina das Escrituras.