O último escritor da Bíblia foi o apóstolo João, que escreveu o livro de Apocalipse por volta do ano 95 depois de Cristo, já no final do primeiro século. João era o discípulo amado de Jesus, único dos doze apóstolos originais que não morreu como mártir, vivendo até idade avançada e testemunhando o crescimento e expansão da igreja primitiva através de mais de seis décadas.
Vamos para a Bíblia?
Exilado na ilha de Patmos no mar Egeu por causa de sua fé conforme Apocalipse 1:9, João recebeu as visões proféticas que compõem o Apocalipse, última revelação divina registrada nas Escrituras Sagradas.
Apocalipse 1:1-3 identifica o autor e propósito: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo que viu. Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nelas escritas, pois o tempo está próximo.”
Além do Apocalipse, João também escreveu o Evangelho que leva seu nome e as três epístolas joaninas, Primeira, Segunda e Terceira João, tornando-se um dos escritores mais prolíficos do Novo Testamento. Seu evangelho, provavelmente escrito na década de 80 ou início dos anos 90 depois de Cristo, foi o último dos quatro evangelhos a ser composto e apresenta perspectiva teológica mais desenvolvida sobre a divindade de Cristo, começando com a majestosa declaração em João 1:1-3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.”
As epístolas de João, escritas provavelmente entre 85 e 95 depois de Cristo, abordam questões teológicas e práticas enfrentadas pela igreja no final do primeiro século, especialmente heresias gnósticas emergentes que negavam a plena humanidade de Cristo ou separavam Jesus humano do Cristo divino. Primeira João enfatiza repetidamente que Jesus Cristo veio em carne conforme Primeira João 4:2-3, que devemos amar uns aos outros conforme Primeira João 4:7-21, e que temos vida eterna em Cristo conforme Primeira João 5:11-13.
É notável e providencial que entre o primeiro e o último escritor da Bíblia existam aproximadamente mil e quinhentos anos de história. Moisés nunca conheceu João, e João nunca viu Moisés exceto possivelmente na visão da transfiguração registrada nos evangelhos sinóticos onde Moisés e Elias apareceram com Jesus glorificado. Contudo, a mensagem que ambos transmitiram é perfeitamente coerente e complementar. Moisés começou registrando a criação do mundo perfeito, a entrada do pecado através da desobediência humana, e a promessa inicial de um Redentor vindouro em Gênesis 3:15. João concluiu revelando a consumação de todas as coisas quando o Cordeiro de Deus, já sacrificado e ressurreto, retornará em glória para julgar os vivos e os mortos, destruir o pecado e a morte definitivamente, e estabelecer novos céus e nova terra onde a justiça habitará eternamente.
Apocalipse 21-22 descreve a Nova Jerusalém descendo do céu, a morada de Deus com os homens, onde “lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor” conforme Apocalipse 21:4. O rio da vida e a árvore da vida, perdidos em Gênesis 3 quando Adão e Eva foram expulsos do Éden, reaparecem em Apocalipse 22:1-2 no paraíso restaurado. O ciclo que começou em Gênesis com criação perfeita se completa em Apocalipse com nova criação onde o pecado foi eliminado e os remidos habitarão eternamente na presença de Deus.
Apocalipse 22:18-19 conclui com solene advertência: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”.
Essa advertência não se aplica apenas ao livro do Apocalipse mas, como último livro do cânon bíblico, serve como selo sobre toda a revelação escrita. Não deve haver acréscimos nem subtrações. A revelação está completa.
Após João, não houve mais profetas inspirados para adicionar livros ao cânon bíblico. Os pais apostólicos e escritores da igreja primitiva nos séculos segundo e terceiro produziram obras valiosas de teologia, história e devoção, mas nunca reivindicaram nem receberam reconhecimento de inspiração profética equivalente aos apóstolos. A era da revelação inscrita havia terminado com João. A igreja agora possuía revelação completa e suficiente nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos para guiá-la até o retorno de Cristo.
